segunda-feira, 4 de novembro de 2013

29. A Unidade do Meu Ser



Mas «porque a Vossa misericórdia é superior às vidas» confesso-Vos que a minha vida é distensão. «A Vossa dextra recolheu-me» por meio do meu Senhor, Filho do Homem e Mediador entre Vós que sois uno e nós que além de sermos muitos em número, vivemos apegados e divididos por muitas coisas. Assim me unirei por Ele a Vós a quem, por seu intermédio, fui ligado. Desprendendo-me dos dias em que dominou em mim a «concupiscência» alcançarei a unidade do meu ser, seguindo a Deus Uno. Esquecerei as coisas passadas. Preocupar-me-ei sem distracção alguma, não com as coisas futuras e transitórias, mas com aquelas que existem no presente. «Com fervor de espírito, dirijo-me para a palma da celestial vocação, onde ouvirei o cântico dos Vossos louvores e contemplarei a vossa alegria» que não conhece futuro nem passado.
Agora, porém, «os meus anos decorrem entre gemidos». Vós Senhor, consolação minha, sois eternamente meu Pai. Mas eu dispersei-me no tempo cuja ordem ignoro. Os meus pensamentos, as entranhas íntimas da minha alma, são dilacerados por tumultuosas vicissitudes até ao momento em que eu, limpo e purificado pelo fogo do vosso amor, me una a Vós.»


Santos Agostinho, Confissões, XI, 29

Primeiro Passeio



Eis-me sozinho na terra, sem irmão, parente próximo, amigo, ou companhia a não ser eu próprio. O mais sociável e o mais afectuoso dos homens foi proscrito da sociedade por um acordo unânime. No requinte do seu ódio, procuraram o tormento que fosse mais cruel para a minha alma sensível e quebraram violentamente todos os laços que a eles me ligavam. Eu teria amado os homens apesar do que são. Ao deixarem de o ser mais não fizeram do que furtar-se ao meu afecto. Ei-los, portanto, estrangeiros, desconhecidos, em suma, inexistentes para mim, já que assim o quiseram. Mas eu, desligado deles e de tudo, o que sou afinal? É o que me falta descobrir. Infelizmente, antes dessa descoberta, tenho de analisar a minha situação. É uma ideia pela qual tenho forçosamente de passar para, partindo deles, chegar a mim.
Há quinze anos ou mais que me encontro nesta estranha situação, e ainda me parece um sonho. Continuo a pensar que uma indigestão me atormenta, que tenho sonhos maus durante o sono e que vou acordar aliviado do meu sofrimento, entre os meus amigos. Sim, sem dar por isso, devo ter passado da vigília para o sono, ou antes, da vida para a morte. Afastado, não sei como, da ordem das coisas, vi-me precipitado num caos incompreensível em que não distingo nada; e quanto mais penso na minha situação presente, menos posso compreender onde me encontro. (…)


Jean-Jacques Rousseau, Os Devaneios do caminhante Solitário

Prosa 1



Enquanto eu reflectia silenciosamente sobre estas coisas para comigo e escrevia cim um estilete o meu lacrimoso queixume, vi aparecer junto de mim, por sobre a minha cabeça, uma mulher de rosto venerando, olhos cintilantes e perspicazes mais do que a normal capacidade humana, de cor vívida e de um vigor inexaurível, embora fosse tão carregada de anos que de modo algum se pensaria que fosse da nossa geração, com uma estatura difícil de definir. Na verdade, ora se reduzia ao tamanho normal dos homens, ora parecia tocar o céu com o cimo da cabeça. E, quando erguia a cabeça mais alto, penetrava no próprio céu e escondia-se da vista dos homens que a contemplavam.
As suas vestes eram tecidas com requintado lavor, com finíssimos fios e com um material indissolúvel, que, como depois percebi quando ela avançou, ela própria tecera por suas mãos. A beleza destas vestes tinha sido coberta por uma patine de vetustez negligenciada, como costuma acontecer com as imagens fumosas. Na sua fímbria interior lia-se um ∏ grego, na superior lia-se um Θ bordado, e entre as duas letras, à maneira de uma escada, viam-se marcados alguns degraus, para se subir por eles da letra inferior para a superior. Porém as mãos de homens violentos tinham rasgado esta mesma veste e arrebatado os pedaços que cada um conseguira arrancar, Na sua mão direita estavam os seus livros, na esquerda tinha um ceptro.
Quando viu as Musas da poesia em volta do meu leito e a ditar-me as palavras para os meus lamentos, perturbando-se um pouco, enfurecida e com olhar ameaçador, disse:
Quem permitiu a estas galderiazecas de teatro aproximarem-se deste infeliz, não para aliviarem com remédios as suas maleitas mas antes para ainda mais as alimentarem com doces venenos? São estas, com efeito, que com os estéreis espinhos das emoções matam a sementeira da razão, abundante em frutos, e a costumam as mentes dos homens à doença, em vez de as libertarem dela. E se as vossas carícias arrastassem algum inculto, como costumais fazer, as mais das vezes, eu acharia que seria algo menos difícil de tolerar, pois ao fazê-lo em nada prejudicaríeis as minhas obras, mas logo a este, educado nos estudos eleáticos e académicos!? Fora mas é daqui, Sereias tão doces que provocais a morte, deixai-o para que com as minhas Musas eu o cure e salve!
Aquele coro, invectivado por estas palavras, pôs os olhos no chão, entristecido, e, manifestando a sua vergonha pelo rubor das faces, saiu triste do aposento. Eu, pelo meu lado, que devido às lágrimas tinha o olhar turvo e não conseguia descortinar quem seria aquela mulher com tão imperativa autoridade, fiquei embasbacado, de olhos pregados no chão e silenciosamente fiquei na expectativa do que iria ela fazer a seguir. Então ela, chegando-se mais perto, sentou-se na beira do meu catre e, vendo o meu rosto pesaroso de desgosto e fixo em terra devido à tristeza, pranteou a perturbação da nossa mente com […] versos.


Boécio, A Consolação da Filosofia 

domingo, 3 de novembro de 2013

Autobiografia

A minha história começou a 13 de Junho de 1998, no Hospital São Francisco Xavier.
Sou filha única, mas passo muito tempo com os meus primos e passam como irmãos.
Quando eu nasci os meus compraram um carro com o objetivo de um dia ficar para mim e que é um objeto com um grande valor sentimental para mim.
Nasci quando a minha mãe tinha apenas 17 anos. Vivemos, com o meu pai, em Paço de Arcos até ao meu 1 ano, quando nos mudámos para São Marcos.
Em São Marcos criei o meu lar com a minha família e lá que se presenciaram grandes momentos da minha vida.
Entrei o externato "O Cavalinho", onde estive no Coro Infantil de Carcavelos até aos 7 anos. Lá criei grandes amizades e uma grande família. Foi lá que me ensinaram parte do que eu sei e muitas lições de vida.
Quando fui para o 5ºano mudei para a Conde de Oeiras. Mudei, também, de casa o que na altura foi uma experiência horrível mas agora sinto que esta é a minha verdadeira casa, como se sempre tivesse vivido aqui.
Com 12 anos, entrei para a Patinagem Artística no Clube Futebol de Sassoeiros onde me ensinaram as bases para o futuro. Mais tarde, passei para o Parede Futebol Clube, onde estou atualmente.
Voltei a mudar de escola no 7ºano e fui para a Quinta do Marquês, onde estou agora na área de Economia, para tirar gestão.
Quando me perguntam quem sou, não tenho resposta definitiva mas talvez mais tarde vos possa dizer quem realmente sou.
A minha história ainda está longe de terminar e como tal não sei como será o final.



Auto-biografia Lourenço Pereira

Nasci a 24 de Agosto de 1998, na MAC(Maternidade Afredo da Costa).Vivi em casa da minha avó até aos 3 anos com a minha mãe, a minha tia e a minha avó. Mudei-me para Lisboa aos 4 e iniciei uma nova vida com a minha mãe e o meu padrasto(que na verdade considero como meu pai).Frequentei uma escola com um nome bastante extenso do qual só me lembro aquilo a que na altura lhe chamava, Escola Selecta. Andei lá até ao 4º ano ,sítio onde fiz bons amigos e onde aprendi a ler e a escrever, mas a parte mais importante da minha e aquele de que tenho vontade de chorar de cada vez que uma vaga memória dela me ocorre foi, não a escola, mas sim a instituição a que tenho imenso orgulho de chamar "Casa", o Colégio Militar. Foi lá que aprendi as regras mais importantes da vida, as regras que transporto e sempre transportarei comigo.E ao contrário da Escola Selecta onde fiz bons amigos, no Colégio fiz pouquíssimos amigos, no entanto encontrei imensos irmãos, descobri que o nosso coração é tão grande quanto nós quisermos que ele seja, e a família não tem ,necessariamente de ter o nosso sangue, na verdade esses irmãos  de que falo, foram imensamente mais importantes para mim nos 5 anos que que vivi com eles.Muitos pensam ser quase como que uma tortura, mas para quem lá está é não só um privilégio como também uma casa que nos recusamos a abandonar.

Um novo capítulo da minha vida começa...
Saí do Colégio, ainda não estou completamente certo da minha decisão ter sido a mais correcta mas agora já está tomada tenho de viver e aprender com ela.Fui bastante bem acolhido na Escola Secundária Quinta do Marquês, sinto-me bem.Receoso, no entanto, de ter havido uma mudança tão drástica que a me fará um pouco mal, mas hei-de lidar com isso...

Texto autobiográfico


Autobiografia:

Chamo-me Manuel Poças e nasci a 2 de março de 1998 na Cruz Vermelha em Lisboa.
Comecei por viver em Lisboa, perto do castelo, os meus pais, ambos com 28 anos na altura proporcionaram-me um bom começo de vida, aos 2 anos mudei-me para Nova Oeiras, onde moravam os meus avos maternos, os quais, tal como toda a minha familia, contriubuiram bastante para que me tornasse a pessoa que sou hoje.
Desde então vivo na Alameda Conde de Oeiras, onde sempre tive uma vida estavel. Andei num extrenato ate ao 4º ano, mesmo ao lado de casa, os anos que passei nessa escolar fizeram-me construir uma base sólida para o resto da minha vida, prepararam-me como deve ser para o 2º ciclo e por aí em diante.
Comecei pequeno a viajar, ganhei esse gosto e desde então já visitei muitos sitios, enriquecendo cada vez mais culturalmente, mas não é só viajar que me enriquece dessa maneira, sempre fui incentivado a ler boas obras, a querer conhecer mais, sempre me incentivaram a querer ser cada vez melhor, o que fez com que ganhasse confiança e aspirações elevadas para o meu futuro!
Ate agora posso dizer que vivi pouco, apenas um terço e meio da esperança média de vida, e que nao tenho muita experiência de vida, mas considerando a pouca experiência que tenho reconheco e que me vai ser util, reconheço que até agora retirei o maximo possivel das situaçoes, tentei aprender tudo o que deu para aprender. Ao longo da vida fui adquirindo gostos diferentes, a minha comida favorite passou de salsichas a pizza, o estilo de musica que gosto passou de rap a jazz…, isto so mostra que ao longo dos anos os nossos gostos vao mudando de acordo com o que experienciamos, vemos e vivemos! Mas espero que alguns gostos nunca mudem, como o gosto de conhecer, de descobrir e de viajar, por exemplo, esses gostos e a minha familia sao os pilares da minha pessoa e da maneira como vejo o mundo!
Considero-me uma pessoa muito ambiciosa e com bastantes planos para o futuro, e quando falo em aspiraçoes elevadas falo na pessoa que quero ser, nas minhas ambiçoes, ambiçoes essas como vive numa grande cidade, gerir uma grande empresa, construer uma familia e proporcionar aos meus filhos aquilo que os meus pais me proporcionaram. Comecei em pequeno a querer viver numa cidade como Nova Iorque, e o facto de ja la ter ido entratanto so contruiu para que esse desejo aumentar, tenho trabalhado para isso, durante estes anos tive boas prestaçoes escolares, o que deixou os meus pais orgulhosos e me tem vindo a dar uma base para uma boa vida futura.
Ainda tenho muito para viver e espero que esses anos sejam tao bons ou melhores do que os que ja vivi e que as minhas experiencias e conhecimentos me ajudem a completar os meus objectivos.

Manuel Poças 
Na autobiografia, o que é suposto escrever sobre mim? As minha tristezas? Não, isso seria mais uma tragédia. Mas se apenas escrevesse sobre os momentos divertidos seria uma comédia, e não posso dizer que seja uma palavra que descreva muito bem aquilo que já vivi (não na sua totalidade).
Foi na noite de 14 de Janeiro de 1998 ás 23:53, no hospital Garcia de Orta que começou a minha história.
Digamos que tive uma boa infância, tive o privilégio de crescer rodeada de uma grande família onde pude aprender com a experiência dos mais velhos e com os mais novos criar memórias que vamos puder recordar.
Quando chegou a altura de começar a minha jornada escolar, tive a minha madrinha como educadora. Sempre fui uma criança muito alegre e brincalhona. Foi a partir de muitas coisas que a minha madrinha fazia e faz que cresci e me guiei, sempre vi nela uma grande exemplo e uma modelo a seguir.
Depois da minha entrada no primeiro ciclo, a minha vida tornou-se uma rotina constante. Podia-se até comparar á vida de uma insignificante formiga, sempre a cumprir os seus deveres dia após dia não que isso seja uma coisa má, antes pelo contrário.
Uma grande parte da minha vida gira em torno da igreja e da ordem de St.Agostinho, todos os Domingos desde que entrei na catequese (1ºvolume) assumi um compromisso que cumpro até aos dias de hoje.
No início do ano letivo 2010/11 (quando frequentava o 7ºano de escolaridade) iniciei um capítulo da minha vida bastante importante, comecei a praticar a modalidade de voleibol no C.N.G.
Saltamos agora para 8ºano que conclui na Associação escola 31 de Janeiro, o ultimo de 9 anos, aquela a que eu chamo a minha segunda casa.
Posso dizer que na 31 de Janeiro nunca revelei o meu verdadeiro eu, por diversos motivos.
 A única altura do ano onde eu me entrego a 100% e sou totalmente transparente ao que está ao meu redor, é o acampamento Tagaste. O sitio que me fez crescer, onde não tenho medo de mostrar quem sou, e enquanto estou lá parece que os problemas não existem.
Desde o ano passado que frequento a Escola Secundária Quinta do Marquês, esta não foi uma mudança que veio só, não só mudei de escola como mudei de clube (para o C.V.O) com a esperança de começar tudo do zero. Juntei o útil ao agradável sem dar por isso.
Apesar de ser uma adolescente de 15 anos, e ter escrito o que me pareceu algo interminável, posso concluir que ainda não sei responder á pergunta “quem sou?”, porque mesmo que escreva muito sobre mim a resposta vai estar sempre incompleta, porque todos os dias descubro algo novo que posso acrescentar.

Quando poderei realmente dizer quem sou? Quando é que as pessoas vão puder finalmente saber quem é a Sandra Bentes?